31 de mai de 2012

Meu nome é...


Poderia ser Robert, Norberto ou mesmo Roberto. Se Roberto, poderia ser o famoso Roberto Carlos, o cantor. Se Robert, um senador. Se Norberto, quem sabe um pensador? O fato é que todos o chamavam de Bob. Tiveram pouco contato, todavia, na brevidade do conhecimento, estabeleceram uma sintonia de cordialidade, que se manifestava em afagos. Bob quase que pedia e dava carinho; ela retribuía e induzia a receber. Um jogo maroto a envolver dois seres, ele esguio, ela nem tanto. Algumas vezes caminharam juntos; outras, corria ele na frente. Mesmo assim, voltava-lhe o rosto e ela sorria. Confiou no seu bom senso quando se embrenharam mata adentro. Coisas de mulher frente a um macho? Ou pura ignorância sobre os riscos que corria uma citadina inveterada? Tranqüilos e contentes descansaram em clareiras, brincaram de jogar gravetos, ultrapassaram cercas. Ele mais ágil, ela... nem tanto. Um picadinho de carne, coisa bem paulista, às refeições desviavam de ambos a atenção; Bob absorto e quase voraz a comer, ela observando a sua gula; apressado nem mastigava, só engolia. Ao sol levante, percebia ela, quão interessantes eram seus pêlos, confundindo-se com a luz, quase um claro de sol. Ao longo do dia, seu porte era de pura leveza, fazendo-a perceber que a penugem que escapa da ave percorre em equilíbrio o percurso indefinido até alcançar o chão. Pois era assim que Bob saltava. Já, ao sol poente, quando o silêncio agita os pensamentos, sentava-se ele na soleira da porta e aguardava; o que, ela não sabia. Mas via em seus olhos uma bruma de melancolia, um quase pedido de desculpas ao mundo, um jeito de candura deslocado do tempo. Era assim que o via, quase humanizado, um além de companhia e assim restou a ela. Esse era Bob, cão de cara de fox paulistinha vira-lata, vindo ao mundo de incontáveis cruzamentos, que o tingiram de mel. E, como a doçura que se dissipa ao saborear-se o doce, Bob se foi num dia de janeiro de 2.008, ficou sabendo. Ano do rato no horóscopo japonês; grupo 2, águia, no nacional jogo do bicho.Ano em que, outro Bob, o Dylan baixou em São Paulo. Latiu? Cantou?

Janeiro de 2008

Um comentário:

Anônimo disse...

bromélia, muito boas essas linhas
sobre o bob, robert, roberto, bob
nelson e mesmo bob de cabelo.
um beijo
zeca